Uma semana antes da estreia, assisti ao filme. A convite da Intrínseca, fui a conferir a adaptação do livro Papertowns do John Green. A semana foi bem cheia, afinal o autor tava aqui e teve várias aparições e entrevistas. Infelizmente, não foi dessa vez que conheci o autor, pois ele só foi ao Rio de Janeiro. Mas a oportunidade de ver o filme com exclusividade, foi mais do que um presente.

Em Cidades de Papel, Quentin Jacobsen (Nat Wolff) tem uma vizinha um tanto quanto misteriosa, Margo Spielgelman (Cara Delevingne) – amigos na infância, separados há algum tempo, até que um dia Margo o convida para uma aventura com sede de vingança. Pouco tempo depois, Margo desaparece. Quentin vai atrás de pistas que ela deixava sobre o seu paradeiro.

Roteiro

Algumas mudanças, principalmente no final, foram feitas na adaptação. Confesso que surtiram melhor efeito do que o final do livro. Tanto que o próprio John Green gostou das modificações. O roteiro aborda muito mais sobre adolescência, incertezas e a importância dos laços que fazemos durante o caminho. O amadurecimento também é explorado de uma forma bem sutil. Os diálogos são bem executados e críveis, alguns quase fidedignos e condizentes com os momentos. Referências de filmes são muito presentes, inclusive O Maravilhoso Agora, filme pelo qual também assinam o roteiro.

Direção

Quando um filme não vai bem, a culpa é sempre dele. Em Cidades de Papel, tem um pouco dos dois. É notável a harmonia que dá ritmo a trama. Isso, Jake Schreier, fez muito bem. Não acredito que tenha errado, pelo contrário, em alguns momentos a sutileza prevalece. Ele não fez um filme exagerado, tem pontos altos e baixos e que no geral, vai bem. Não chega a ser uma direção brilhante, mas cumpre seu papel.

Elenco

Adoro a Cara, mas ela é uma excelente modelo. Confesso que a sua atuação ficou bem fraca perante outros personagens. Um filme onde o marketing foi tão bem explorado, os trailers são extensos… a expectativa ficava nas alturas. Não sei se foi o melhor casting, mas em partes, funcionou bem. Embora a química entre os protagonistas, não tenha de fato, acontecido. Ambos “deslocados”.  O personagem que mais me agradou por incrível que pareça, não foi o Radar (meu personagem favorito no livro). Ben ganhou a tela facilmente em suas aparições.

Fotografia

Em alguns pontos, acertou, principalmente no início. Depois, foi para o óbvio e alguns “erros” me chamaram atenção. Os planos básicos todos foram bem executados, porém, em alguns perdiam a força pelo enquadramento sem graça. A premissa do filme dava abertura para enquadramentos mais criativos e que mostrassem o cenário bem road movie, porém, nada disso foi explorado. Uma cena que me deu um pouco de raiva, foi a em um lugar bem famoso da cidade onde se passa grande parte da trama. Os planos escuros, se sem pouca profundidade de campo, me incomodaram bastante. Principalmente, a do diálogo mais importante entre Margo e Q. No geral, ficou na média. Não surpreendeu em nenhum aspecto.

Trilha Sonora

Minha parte favorita no filme, sem dúvida. Cheia de referências interessantes e não tão óbvias. Sam Bruno, Saint Motel ♥, Mikky Ekko, Santigold, Alice Boman, Delux… uma mescla de músicas que exploram o lado mais “indie” da vida. Conheci muitos artistas através da trilha, não saem da minha playlist. Ah, Nat Wolff e seu irmão Alex também tem espaço na trilha, com a música “Look Outside”, confesso que não conhecia o trabalho deles anteriormente.

Quote favorito

“Here’s what’s not beautiful about it: from here, you can’t see the rust or the cracked paint or whatever, but you can tell what the place really is. You see how fake it all is. It’s not even hard enough to be made out of plastic. It’s a paper town. I mean look at it, Q: look at all those cul-de-sacs, those streets that turn in on themselves, all the houses that were built to fall apart. All those paper people living in their paper houses, burning the future to stay warm. All the paper kids drinking beer some bum bought for them at the paper convenience store. Everyone demented with the mania of owning things. All the things paper-thin and paper-frail. And all the people, too. I’ve lived here for eighteen years and I have never once in my life come across anyone who cares about anything that matters.”

Considerações Finais

Um filme que recomendo a todos, pois irão lembrar de muitas coisas da adolescência e dessa fase maravilhosa e conturbada. Aos que ainda não passaram por ela, irão ter um deslumbre do que é ser um e das dificuldades que encontrarão no meio do caminho. Com uma mensagem que vale mais do que um final que todo mundo espera. Não importa se erra ou acerta, mas que se tenta. Como fosse a melhor decisão já tomada, embora não saiba pra onde está indo.