A convite da Companhia das Letras (o filme é uma adaptação do livro “Holograma para um rei“, lançado pela editora) e da distribuidora Mares Filmes. Hoje, fui conferir o mais novo trabalho do Tom Hanks no cinema. A Hologram for the King (Negócio das Arábias), Tom Hanks dá vida a Alan Clay, um homem de meia-idade e falido que vai para Arábia Saudita para vender um sistema de vídeo holográfico ao rei. O rei pretende construir uma enorme cidade no meio do deserto. Além disso, Alan vive uma crise bastante complicada, pois se sente culpado pelo fim do casamento e estar com problemas financeiros que o impedem de pagar a faculdade de sua filha, torce para um sucesso. Mas quando Alan chega a Arábia Saudita, tem uma surpresa, pois o rei não aparece por lá há meses e ninguém sabe ao certo quando ele aparecerá para a apresentação. Com isso, Alan e sua equipe, ficam no país por tempo indeterminado e tentam estar prontos para se apresentar a qualquer momento. Alan conhecerá alguns habitantes e alguns estrangeiros no país. Acompanhamos toda a trajetória árdua de um imigrante em um país onde a cultura entra em choque com os seus costumes.

O filme chega aos cinemas brasileiros no dia 4 de agosto.

Direção

Fui com bastante expectativa assistir ao filme, tanto pela direção/roteiro de Tom Tykwer quanto pelo meu carinho pelo ator que vive o protagonista. Mas em muitos momentos, senti as inconsistências na narrativa, que até podem ser justificadas pelo momento em que Alan Clay está vivendo. Os altos e baixos, os momentos onde nada parece que vai acontecer… o filme começa bem, mas do meio para o fim, fica estagnado e perde um dos objetivos principais como uma ventania no deserto. A química entre o elenco, foi um acerto, porém… senti que faltou um pouco de identidade durante o filme, algo bem diferente do que havia visto em Corra Lola, Corra (1998) e Perfume: a história de um assassino (2006). Faltou Tykwer.

Elenco

Achei que Tom Hanks ia segurar o filme sozinho, porém… me enganei. O motorista e herói, Yousef, vivido pelo ator Alexander Black. Rouba a cena em todos os momentos que aparece. Carismático, divertido e totalmente “inofensivo”. Senti que em alguns momentos, a trama dele ia roubar o filme. Mas no fim, ficou faltando peças nesse quebra-cabeça. Ele acaba sendo um grande amigo para Alan e tem grande importância no conjunto da trama. Outros personagens são apresentados e começam a ganhar força, como a médica Zahara (Sarita Choudhury), que em determinado momento acaba sendo destaque do filme e na vida do próprio protagonista.

Fotografia

É de acertos e erros, mais acertos. Gostei bastante da estética do filme, pode abordar tanto vida de Alan, como mostrar o país e as imensidão do deserto. Apaixonada pela cena debaixo d’água (sem spoilers, juro).

Trilha Sonora

Gostei bastante da trilha sonora do filme, bastante eclética. Com clássicos como You’re The Inspiration (Chicago), inicia com Once In A Lifetime –  Talking Heads (que eu amo ♥) e também coloca um dos cantores locais Rashed Al-Majed, em pelo menos, dois momentos.

Considerações finais

Negócio das Arábias é um bom filme para entretenimento. Embora eu tenha saído com aquele sentimento de que o filme não foi bem o que eu esperava. Hanks está ótimo (não chegou a ser brilhante), elenco desenvolto, fotografia okay e uma direção mais ou menos. Gostei bastante do aspecto cultural incutido na trama, principalmente do papel da mulher em países onde a cultura é tão distante da nossa. Mas acho que em alguns momentos, isso não ficou bem resolvido na tela, foi tudo bem passageiro e cheio de esteriótipos. Não tive a oportunidade de ler o livro, mas futuramente, lerei.

Negócio das Arábias (2016)
3.9Pontuação geral
Enredo
Trilha sonora
Fotografia
Direção