11/04 – Cobogó lança livro sobre a exposição Espírito de Tudo, de Rosângela Rennó

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Com textos da curadora Evangelina Seiler e da própria artista, obra será lançada no Oi Futuro Flamengo, no Rio (11/04), e na Galeria Vermelho, em São Paulo (25/04)

A consagrada artista Rosângela Rennó explora, nesse grupo de trabalhos, a sutileza que existe entre o mundo concreto e o místico, além das possibilidades sensoriais evocadas pela memória de cada indivíduo. Foi a partir desse desejo de provocar um mundo de conexões, lembranças embaralhadas e ressignificação de objetos e ideias que a mineira, radicada no Rio de Janeiro, concebeu as obras da exposição ‘Espírito de tudo’, que ficou em cartaz entre novembro de 2016 e janeiro de 2017, no Oi Futuro Flamengo, e agora se transforma em publicação pela editora Cobogó. A edição bilíngue, com textos da curadora Evangelina Seiler, da própria artista e com citações de autores consagrados como Walter Benjamin, Marcel Proust e Ítalo Calvino, será lançada no dia 11 de abril, no próprio Oi Futuro, no Rio, e no dia 25 de abril na Galeria Vermelho, em São Paulo.

O caminho percorrido na exposição e, agora nas páginas do livro, obedece a uma lógica determinada pela artista em uma busca sensorial. “É importante ressaltar que eu não lanço um catálogo, mas um livro em que as obras ganham um tratamento especial por estarem em outro meio. O que na exposição era vídeo, por exemplo, agora apresenta imagens gráficas. É um desdobramento do trabalho”, explica Rosângela Rennó.

A ordem das obras na exposição foi mantida — Per fumum, Lanterna mágica, As águas viajantes, Turista transcendental, Realismo fantástico e Círculo mágicosão os seis capítulos da publicação, que envolvem o leitor em uma jornada poética, por novas formas de olhar, compreender e reagir a variadas experiências. “Muita gente imagina que eu seja essencialmente benjaminiana pelo meu olhar para objetos antigos e fica surpresa por não ser nostálgica, mas sim provocativa e às vezes irônica”, observa a artista se referindo ao trabalho de Walter Benjamin sobre as causas e consequências da destruição da “aura” que envolve as obras de arte. “Meu trabalho dialoga com a história, a memória, a comunicabilidade e a perda da comunicabilidade”, acrescenta.

Obra que abre o livro, Per fumum apresenta a pesquisa da artista com resinas naturais, os incensos, e propõe uma reflexão sobre os odores com os quais o homem se relaciona da antiguidade até os dias de hoje – cada um com seu uso indicado e suas sensações próprias. O que este ou aquele aroma, esta ou aquela resina provoca, ao primeiro contato?  Enquanto o olfato desperta sensações, Lanterna Mágica remete ao tempo da pré-imagem, entre fotografias trabalhadas à base de sais de prata e gelatina e projeções feitas com as tradicionais lanternas mágicas – projetores antigos, do final do século 19 e início do século 20. “Gosto de colocar um ruído na contemporaneidade para propor a reflexão. Quando uso um objeto anacrônico, como uma lanterna mágica, mas com funcionalidade, desperto o interesse, mudo a maneira como aquela obra vai ser absorvida”, reflete Rosângela Rennó.

As horas viajantes nasceu a partir da coleção da artista de vidros de perfume, com mais de 300 frascos cheios ou vazios. O sentir despertado pelas “imagens das essências” conduz à memória dos perfumes e de tudo que vem com ela. E mais uma vez o espectador é tocado pela viagem, magnetizado pelo ato de lembrar-se. No livro, o nome de todos os perfumes e suas datas de lançamento original estão catalogados.

A obra seguinte, Turista Transcendental, reúne textos da artista (na exposição acompanhados de vídeos) que documentam, de forma bastante peculiar, suas viagens a pontos tão distintos quanto as ilhas Reunião (no Oceano Índico, a leste de Madagascar) e Gomera (no arquipélago das Canárias), Teotihuacán (México), a cabeça da Estátua da Liberdade (Nova Iorque), o Salar do Uyuni (a maior planície de sal do mundo, na Bolívia), o estreito de Bósforo (em Istambul), a cidade mística de Allahabad (Índia), Lagos (Nigéria), Montevidéu (Uruguai) e a Chapada dos Veadeiros, no planalto central brasileiro. Os trabalhos Realismo Fantástico e Círculo mágico fecham o livro.

“Rosângela Rennó é uma artista consumada, inteira, completa. Ela é a arte em si, mais o discurso refinado em torno. Pensadora e artífice em uma só pessoa, manuseia a teoria e a prática em um só movimento, deixando ainda assim um imenso espaço para a sutileza, para a transição, nos intervalos de seu discurso”, define a curadora Evangelina Seiler. “Esse conjunto de obras promove um turbilhão de conexões e coerências, uma voragem de recorrências que adentram todos os âmbitos da arte e do mundo concreto e inclusive abstrato”.

Sobre a artista – Rosângela Rennó nasceu em Belo Horizonte, em 1962, e vive no Rio de Janeiro. Formou-se em Artes Plásticas pela Escola Guignard e em Arquitetura pela UFMG, e é Doutora em Artes pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Sua obra é marcada pela apropriação de imagens descartadas, encontradas em mercados de pulgas e feiras, e pela investigação das relações entre memória e esquecimento. Em suas fotografias, objetos, vídeos ou instalações, trabalha com álbuns de família e imagens obtidas em arquivos públicos ou privados. Dedica-se também à criação de livros autorais. Em 1994, participou da 22ª Bienal Internacional de SP e, em 2003, da Bienal de Veneza. Em 2013, ganhou o prêmio Paris Photo de melhor livro fotográfico.

Realizou diversas exposições individuais, entre elas, na Fundação Gulbenkian, Lisboa, Fotomuseum, em Winterthur, em 2012 e Photographers’ Gallery, em Londres, 2016. Seus trabalhos estão em alguns dos principais museus de arte do mundo, como o Reina Sofia, em Madri, o Tate Modern, em Londres, o Arts Institute of Chicago, o Guggenheim, em Nova York, e o Stedelijk, em Amsterdã.

Sobre a Cobogó – Criada em 2008, a Editora Cobogó tem como foco a publicação de livros sobre arte e cultura contemporâneas. Lançou diversos títulos, entre eles A filosofia de Andy Warhol, de Andy Warhol; Hans Ulrich Obrist – Entrevistas vols. 1 a 6, os panoramas Pintura Brasileira séc. XXI e Fotografia na Arte Brasileira séc. XXI, e as monografias de artistas como Adriana Varejão, Nuno Ramos, Laura Lima, Erika Verzutti, Paulo Nazareth e Iran do Espírito Santo. Além das artes visuais, a Cobogó se destaca pelo lançamento de livros sobre música, teatro e dança. Entre as obras publicadas, estão O dançarino e a dança, sobre a trajetória do bailarino e coreógrafo americano Merce Cunningham; De segunda a um ano, único livro do artista e músico John Cage lançado no Brasil; A Arte do Presente, uma coletânea de entrevistas feitas com Ariane Mnouchkine, diretora e fundadora do Théâtre du Soleil, a Coleção Dramaturgia, com textos de importantes autores contemporâneos, incluindo as premiadas peças Caranguejo Overdrive (de Pedro Kosovski), BR-Trans (de Silvero Pereira) e Krum (do israelense Hanoch Levin), e a coleção O Livro do Disco, que mergulha no universo de álbuns emblemáticos da discografia brasileira e estrangeira. Recentemente lançou Arte Brasileira para Crianças, com 100 artistas e atividades baseadas em suas obras.

Serviço

Título: Espírito de tudo

Texto: Evangelina Seiler

168 páginas

ISBN: 978-85-559-1000-0

Encadernação: Brochura com sobrecapa

Formato: 19,5 x 25,5 cm

Ano de edição: 2017

Preço de capa: R$90,00

 

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Estudante de produção editorial, graduada em cinema e webdesign. Dedicada, apaixonada por café, livros, filmes e exposições. Não vivo sem os livros do Stephen King, Joe Hill e Harlan Coben. Em minha playlist não falta: Green Day, American Authors, Strokes, The Lumineers, Amy Winehouse, One Republic, Carla Bruni, Foo Fighters, RHCP, The Doors, Ramones e AC/DC.

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