A peça Casa de Bonecas foi lançada em 1897 e é considerada uma obra em que o feminismo aflora ao final da história. A narrativa se desdobra em torno de Nora – esposa de um diretor de banco que a tem como frívola e inocente –, que faz de tudo para salvar o marido de uma doença; para tal fim, ela mente e consegue um empréstimo com um homem seu caráter e sem que seu marido ou seu pai saibam. Contudo, quando seu marido, Helmer, descobre, a repudia. Ela, então, ao ver sua posição inferior na sociedade, principalmente pela humilhação que sofre do marido, por ter feito de tudo para salvá-lo, revolta-se e resolve deixar marido e filhos.

A peça Casa de Bonecas será lançada em maio pela Editora Moinhos, em conjunto com um trabalho que a diretora Camila Bauer vem desenvolvendo.

Abaixo, um trecho da matéria que saiu no GAÚCHA ZH (https://goo.gl/2ZHCH2)

A diretora prepara uma montagem de Casa de Bonecas (1879) com citações de Um Inimigo do Povo (1882), duas das mais conhecidas peças do autor. Dividindo opiniões entre os que a consideram uma forma de pré-feminismo e os que percebem nela apenas uma defesa da emancipação do ser humano, Casa de Bonecas mostra a trajetória de Nora, uma mulher que ao final decide abandonar o marido e os filhos. Pressionado pelas circunstâncias da época, Ibsen chegou a escrever, a contragosto, um final alternativo para ser encenado na Alemanha, no qual Nora decide ficar, mas ele mesmo considerou esse um ato de “violência” com a peça.

Baseado na versão original, Leonardo Pinto Silva realizou uma tradução do norueguês especialmente para a encenação gaúcha. Casa de Bonecas, que não consta na Caixa Henrik Ibsen lançada no final de 2017 pela editora Carambaia, será publicada em 2018 pela editora Moinhos, de Belo Horizonte.

Camila pretende não apenas preservar o tom contestador do texto como deve intensificá-lo. Estuda, por exemplo, um novo tratamento para Linde, personagem que opta por se enquadrar às convenções sociais esperadas para uma mulher. Seja para desconstruir o realismo de Ibsen, seja para contextualizar sua obra na atualidade brasileira, o espetáculo buscará um distanciamento crítico ao abrir o jogo teatral. Os atores interromperão a ação com comentários ou observações, explicitando que se trata de um elenco brasileiro representando uma peça ambientada na Noruega. Acontecimentos recentes, como o impeachment, serão aludidos.

SOBRE O AUTOR

Henrik Ibsen (1828-1906) foi um dramaturgo norueguês e um dos criadores do teatro realista moderno. Criou o “Teatro de ideias”. Em 1850, sob o pseudônimo de Brynjolf Bjarme, lançou sua primeira peça, “Catilina”, inspirada nas revoluções europeias de 1848 e nos escritos do romano Cícero.

Ibsen foi também poeta e diretor teatral. Dirigiu o Teatro de Bergen, segunda cidade mais importante do país. Em 1857, assumiu a direção do Teatro Norueguês de Kristiania (atual Oslo). Em 1858, casou-se com Suzammah Thoresen, e chegou a fazer um grande sucesso com “A Matéria de que se Fazem Reis” (1863), ambientada na Noruega medieval. Em 1864 resolveu sair do país, quando a Prússia invadiu a Noruega. Morou em diversas cidades, principalmente em Roma e Munique.

Na Itália, escreveu três outras peças que recuperam os ideais românticos e o estilo de vida escandinavo, entre elas “Peer Gynt” (1867). A obra foi tida como uma crítica ao homem moderno: conta, na forma de tragicomédia, a trajetória de um aventureiro que abandona seus princípios morais em nome da fama.

Em 1879, muda-se para Munique, onde passa os dias lendo jornais, de onde muitas vezes tira o enredo de suas peças, e escreve “Casa de Bonecas”. Muitas de suas peças foram consideradas escandalosas para a época em que foram escritas. Seus trabalhos se caracterizam pelo estudo psicológico dos personagens, principalmente da mulher e analisam a realidade contida por trás das convenções, costumes e a moralidade da época. Em 1885, Ibsen já é considerado o dramaturgo mais representado em vários países.

 

SOBRE A EDITORA

A Editora Moinhos é uma casa editorial independente que surgiu em 2016 e que pretende realizar o resgate de grandes clássicos da literatura brasileira e estrangeiras, buscando viabilizar obras ainda inéditas no país. Para o ano de 2018, a Editora prepara cerca de 10 novas traduções de obras inéditas no país.