Editora: Suma de Letras
ISBN: 9788581050362
Ano: 2013
Páginas: 200
Tradutor: Adalgisa Campos da Silva

Carrie, a Estranha narra a atormentada adolescência de uma jovem problemática, perseguida pelos colegas, professores e impedida pela mãe de levar a vida como as garotas de sua idade. Só que Carrie guarda um segredo: quando ela está por perto, objetos voam, portas são trancadas ao sabor do nada, velas se apagam e voltam a iluminar, misteriosamente.

Aos 16 anos, desajustada socialmente, Carrie prepara sua vingança contra todos os que a prejudicaram. A vendeta vem à tona de forma tão furiosa e amedrontadora que até hoje permanece como exemplo de uma das mais chocantes e inovadoras narrativas de terror de todos os tempos.

Com tantos ingredientes de suspense, Carrie, a Estranha logo se transformou num enorme sucesso internacional e passou a integrar a mitologia americana. Ao ser transportado para as telas, em 1976, pelas mãos de Brian de Palma, teve a atriz Sissy Spacek e John Travolta em seus papéis principais.

Introdução

Se tem a alguém a quem culpar a carreira que Stephen começou a trilhar, a grande culpa é da Tabitha King. Ela o incentivou a continuar a sua história que foi originalmente publicada em 1974. O sucesso foi tão grande que em 1976, Carrie chegou aos cinemas interpretada por Sissy Spacek.


Minha primeira experiência com as leituras do autor começaram em 2000. Muitos dos títulos dele não tinham sido publicados no Brasil, foi um dos motivos que me levaram a começar a ler em outro idioma (além do alto custo dos exemplares). King tem uma linguagem própria muito cativante, todos os seus livros tem uma dose tão boa de detalhes que se tornam verdadeiros filmes na mente do leitor. Foi o que me fascinou desde o início. Os personagens são tão bem construídos que é possível acreditar que algum dia já existiram. O dom do autor em construir suas narrativas é amplo e bastante intenso.

Vocês devem estar se perguntando: – Mas se gosta tanto, qual o motivo de nunca ter resenhado um livro dele no blog? O motivo é claro (pra mim :P), eu nunca acho que fará jus as impressões que carrego ao ler seus romances. Eu já escrevi resenhas dele por diversas vezes, mas, nunca as publiquei. Como quero um 2015 diferente, vocês terão muitas resenhas dos livros dele por aqui. Alguns títulos serão leituras inéditas, outras serão releituras que farei ao longo do ano. No total, minha coleção atual de livros é de 38 títulos.


Em, Carrie, A Estranha, Carrieta White, é uma adolescente que lida uma vida regada ao fanatismo religioso da mãe, isolada e sem amigos, ela é alvo fácil aos colegas de escola. O que não sabem é que Carite tem o dom da telecinesia. O baile de formatura é o palco de uma tragédia e de uma sede de vingança. Ninguém sairá impune.

O livro foi adaptado oficialmente por 3 vezes, sendo a primeira em 1976, como dito anteriormente. Embora os efeitos visuais sejam considerados primários nos dias atuais, gosto muito dos planos e do ritmo dirigido por Brian de Palma.

Em 2002, Angela Bettis fez o papel de Carrie em um telefine exibido pela NBC. É a adaptação mais próxima do livro, pois há o contraponto de duas narrativas, uma na visão de Carrie e outra das testemunhas.

Em 2013, Chloë Grace Moretz viveu o papel da moça problemática e com poderes paranormais. O destaque desse filme não está em Carrie e sim na mãe da moça, pois Julianne Moore ficou fantástica no papel.

Sobre Stephen Edwin KingPicture of Stephen King

Stephen King era um leitor fanático dos quadrinhos EC’s horror comics incluindo Tales from the crypt, que estimulou seu amor pelo terror. Na escola, ele escrevia histórias baseadas nos filmes que assistia e as copiava com a ajuda de seu irmão David. King as vendia aos amigos, mas seus professores desaprovaram e o forçaram a parar.

De 1966 a 1971, Stephen estudou Inglês na Universidade do Maine em Orono, onde ele escrevia uma coluna intitulada “King’s Garbage Truck” para o jornal estudantil, o Maine Campus. Ele conheceu Tabitha Spruce lá e se casaram em 1971. O período que passou no campus influenciou muito em suas histórias, e os trabalhos que ele aceitava para poder pagar pelos seus estudos inspiraram histórias como “The Mangler” e o romance “Roadwork” (como Richard Bachman).

Site oficial

Capas pelo mundo

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Narrativa

A narrativa do livro pode se tornar confusa ao leitor mais desatento. O motivo disso é que em meio aos acontecimentos, há trechos de registros policiais, trecho de revistas e livros que se fundem a trama. O ritmo é meio que quebrado por essas inserções. Mas levam a entender todo o comportamento e a vida que os White levavam. Perante aos vizinhos e os habitantes de Chamberlain, no Maine. O final trágico, todo mundo conhece, mas a vida conturbada de Carrie, a sua infância, a morte do pai e a censura doentia da mãe são muito mais exploradas no livro. Outro ponto muito interessante é a temática que o livro aborda. Algo que é tão comentado atualmente e carrega a nomenclatura de bullying. Carrie era inundada por situações desses atos cruéis e dolorosos. Mesmo publicado em 76, é um livro com um tema atual e muito discutido. Ou seja, creio que o livro era a frente do seu tempo e se tornou atemporal. O que por si só, torna Stephen alguém especial e digno de atenção.

Diagramação

Apesar de ter uma edição antiga (uma que encontrei em um sebo e publicada pela Thorndike Press [1994]), me apaixonei pelas novas capas dos romances do autor agora pelo selo da Suma de Letras, anteriormente era da Bertrand e depois passou para Objetiva. Felizmente a edição está ótima, numa fonte confortável e com uma capa bem feita.

Considerações Finais

Se você procura um livro pra se assustar, definitivamente não é esse livro. Curto, porém eficaz, a narrativa explora o terror psicológico sofrido pela protagonista. As consequências são meros acasos de tanta humilhação e raiva contida. Carrie, a estranha, não é o meu livro favorito do Stephen, mas foi o primeiro de muitos que li. Tive a oportunidade de reler essa obra nesse mês e quis dividir a experiência com vocês.