Destino – Ally Condie 
Destino

Edição: 1
Editora: Suma de Letras
ISBN: 9788560280810
Ano: 2011
Páginas: 240
Tradutor: Lívia de Almeida
Comprar: R$20,31

Cassia tem absoluta confiança nas escolhas da Sociedade. Ter o destino definido pelo sistema é um preço pequeno a se pagar por uma vida tranquila e saudável, um emprego seguro e a certeza da escolha do companheiro perfeito para se formar uma família. Ela acaba de completar 17 anos e seu grande dia chegou: o Banquete do Par, o jantar oficial no qual será anunciado o nome de seu companheiro. Quando surge numa tela o rosto de seu amigo mais querido, Xander – bonito, inteligente, atencioso, íntimo dela há tantos anos -, tudo parece bom demais para ser verdade.Quando a tela se apaga, volta a se acender por um instante, revelando um outro rosto, e se apaga de novo, o mundo de certezas absolutas que ela conhecia parece se desfazer debaixo de seus pés. Agora, Cassia vê a Sociedade com novos olhos e é tomada por um inédito desejo de escolher. Escolher entre Xander e o sensível Ky, entre a segurança e o risco, entre a perfeição e a paixão. Entre a ordem estabelecida e a promessa de um novo mundo.

proibido

Introdução

Quem me conhece sabe que gosto de gêneros e narrativas que contestem. Felizmente Destino é o tipo de livro de me agrada. Ally conduz muito bem o primeiro livro e atiça a todos os amantes do gênero Distopia a ler Travessia – o segundo volume da trilogia – publicado esse mês, pela editora Suma de Letras aqui no Brasil. Quando o livro lhe permite criar emoções, ambientes, vivências e momentos interessantes não há muito a reclamar. Pois ele funcionou em sua proposta.

É como um filme que tem a pretensão de ser e o é. Poderia ser melhor, mas conseguiu seu objetivo. O que mais vale para um autor é ter a habilidade de cativar, conquistar os leitores e fazer um bom trabalho do qual não se arrependa. Acredito que Ally Condie pode sentir essa sensação.

Narrativa

A narrativa de Ally tem uma crescente que faz com que o leitor não desgrude. Inicia de modo bem descritivo e depois parte para as ações e situações que decorrem daquela introdução. O livro fecha um ciclo bem caótico. A Sociedade não é quase ditatorial, ela é ditatorial no sentido literal. Faz com que a protagonista e os outros personagens ajam de acordo com a mesma. É um jogo de poderes interessante, embora tenhamos pouca informação da crise e do caos – o que aguça bastante querer entender o que acontece – temos uma visão de Cassia que tem um conflito muito grande quando se apaixona por uma “aberração”, chamada Ky. A escrita e às inserções de poesias que os personagens trocam deixam a trama interessante e até poética.

O avô de Cassia tem uma função bastante funcional durante o período. Gosto de livros que discutem ao menos um pouco essa relação.

O livro não peca em suas 200 e poucas páginas, embora seja curto em páginas, em um tempo de narrativa aceitável, que deixa o leitor apto a continuar.  A questão de não poder dar um passo sem que os agentes da Sociedade saibam se torna interessante e durante a leitura causa um repúdio, pois eles têm o controle absoluto e acredito que isso ocorra com todos, pelo fato de vivermos uma democracia. Ky é o tipo de garoto pelo qual muitos dos leitores vão se encantar: sensível, determinado, embora seja considerado diferente de todos, ele é o ponto alto. A sensação é transposta pelas situações entre Cassia e ele.

Conversando com alguns amigos blogueiros, me informaram que a história é bem próxima da trama de Delírio, embora não tenha lido. Como é de praxe do gênero, Feios do Scott Westerfeld, também trabalha algumas características da mesma forma, mesmo achando que a Sociedade em Destino é muito mais forte e determinante, é como se tivesse o controle de tudo, pelo menos em grande parte. Personagens envolventes, situações criativas e que tem um propósito como um todo.

Momento Macchiato

 “Quando acordo de manhã, o comprimido verde continua na minha mão e as palavras continuam na minha boca.” – Pág 80

Considerações Finais

Felizmente, para um início de uma trilogia, vemos bastantes questões que deixam a curiosidade na continuação. Muito embora o gênero distópico traga um ambiente diferente do nosso, a sensação de que somos coordenados pelo governo/estado e de que de alguma forma estamos sendo vigiados torne ainda mais interessante, o que gosto do gênero é que conseguimos destacar muitas falhas nossas quando lemos algo além de nós. Talvez, seja um motivo pelo qual goste tanto de Feios do Scott, embora Destino não trate da beleza em si e sim de padrões, gêneros, pares. Não detalha a beleza como um padrão e sim pelas habilidades e a genética. Ainda não sei o que esperar de Travessia, mas assim que souber lhes contarei.

Pode até parecer monótono para alguns, mas Destino me fez ver além do que foi escrito, me levou a uma viagem onde o começo de um conflito pode se tornar insustentável.