Ordem e Progresso – P.P.F. Simões

Ordem e Progresso

Edição: 1
Editora: Novo Século
ISBN: 9788576794899
Ano: 2011
Páginas: 320

Samantha Albuquerque com veemente esforço conquista o sonhado diploma de pós-graduação e finalmente surge a oportunidade tão esperada para trabalhar em sua área, assim que é contratada a ingressar no IMCSP (Imigrantes da cidade de São Paulo). Não obstante, todos os países do mundo começam a sofrer fenômenos naturais e sobrenaturais causando um grande alvoroço na mídia escrita e virtual, nas conversas pelos corredores de multinacionais e nos bares de esquina. Com exceção ao único país que parece ser isento desta estapafúrdia, sendo a nossa pátria amada. E sem se dar conta, seja a própria personagem ou o governo brasileiro, Samantha terá que se virar sozinha numa repartição pública sem nenhum recurso, esbarrando na burocracia constantemente, ficando impotente em ajudar os novos imigrantes que em nosso país não cessam em chegar, que atravessam as fronteiras com o único objetivo de sobrevivência. Entrementes, a história é narrada por uma terceira pessoa apaixonada por Samantha, demonstrando seus histéricos surtos de ciúmes no decorrer do relato até o momento em que a personagem é pedida em casamento pelo então noivo Albertino. O narrador quer a todo o momento convencer o leitor com argumentos retóricos, acusando o noivo de traição e racismo, de que ambos não podem ficar juntos. Augusto Comte escrevera: “O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim”. Esse pensamento positivista é, de maneira inusitada, o lema nacional de nossa pátria amada, estampada como símbolo na bandeira do Brasil e conhecido por todos. A protagonista Samantha Albuquerque tenta desvencilhar-se em meio a clichês sociais, questões contemporâneas brasileiras e uma sociedade dominada pelos seus próprios mitos, para obter sua ordem, seu progresso e seu amor, num relacionamento que poderia muito bem ser convencional.

proibido

Introdução

O livro tem um conteúdo que permeia vários tabus da sociedade brasileira, Samantha Albuquerque logo de início põe um basta em muitas atitudes péssimas de muitos cidadãos a sua volta. É um livro que tinha tudo para dar certo e dá. De início pensei que se tratava de um conteúdo totalmente nacionalista, mas ao entrar em contato com a trama do autor, só tive boas experiências, embora muitas das atitudes dos seres que lá estavam era totalmente contrária. O misto entre amor e ódio ficou em evidência. Pois me atrevo a dizer que muitas delas estamos lidando no cotidiano, isso apavora.

Narrativa

A narrativa vai numa linearidade que agrada, os assuntos são postos em cheque e solucionados ou não pela protagonista. Ela fica com um título de heroína, acho isso válido. Pois cativa a fazer mudanças no nosso pensamento, nas nossas atitudes quanto a seres. O livro em si incita a revolta e a busca de soluções para nossos problemas mais delicados, como os hospitais publicos, o governo, o preconceito e a desigualdade social.

Momento Macchiato

“Samantha fora totalmente coorada num muro de fuzilamento. A pergunta mais do que qualquer esperteza jornalística, que até o presente momento, eles, os profissionais, jamais conseguiram pô-la nesta encruzilhada, deixando-a sem resposta. Só que a criança conseguira. Samantha olhou para a flor, ouviu as tias chamando-as no quintal e saíram. Sem resposta, que definitivamente faria meu sangue pegar fogo, destruindo toda a minha obra, queimando-a até o último resquício dos imigrantes, matando até mesmo a traça que até agora, não para de dar boas e más gargalhadas” – pág 245-246

Considerações Finais

Um livro que incita pensamentos e revoluções nos problemas de um país em evolução. Mas que necessita exatamente dos pontos em que o autor cita, usa como tema dessa narrativa nada cansativa, nada antiquada e totalmente plausível. Até o preço das consequências que a protagonista sofre permeia a realidade. Muito interessante e provocativo. Bem estruturado, escrito e argumentado.

Indicados para

aqueles que gostam de lidar com assuntos que agreguem nosso cotidiano da forma mais pura e simples. Para aqueles que lidam com a realidade nua e crua de modo ativo. Pois uma atitude passiva diante de tanta impunidade é sim, um defeito que deveria ser extinto de um país com tanta riqueza e falta de ações que realmente o mudariam para melhor.