O Irlandês, novo filme de Martin Scorsese, com Robert De Niro, Joe Pesci e Al Pacino no elenco, é uma visita não apenas ao passado, como uma grata surpresa para aqueles que são amantes da sétima arte.

 Com esses nomes as expectativas eram grandes. Sim, nos restavam dúvidas principalmente com relação aos consagrados Al Pacino e Deniro, afinal nos últimos anos ambos apresentaram trabalhos questionáveis em filmes medianos. Afinal todos temos uma pilha de boletos se formando.

O filme é sobre a história de um capanga da máfia italiana, que através de lembranças nos conta sobre seu possível envolvimento no assassinato de Jimmy Hoffa, notório líder sindical norte americano que desapareceu na década de 70.

O Irlandês possui 3 horas e meia de duração, com fotografia, diálogos, direção e edição primorosas. E embora seja um filme longo em duração, cheio de diálogos e momentos de silencio, a impressão de quem assiste é de ser um filme muito menor. É uma experiência prazerosa.

Por falar no silencio e nos diálogos, O Irlandês é uma obra diferente do que estamos acostumados a assistir nos últimos anos, onde cenas de ação nos são mostradas a todo momento e diálogos são retalhados no momento da edição.

Assistir atores de tamanha qualidade interagindo é algo lindo de se ver. E os deuses do cinema nos agraciaram com performances primorosas. É possível sentir à entrega e vontade em todos os envolvidos.

Durante toda pré-produção do filme muito foi-se falado sobre o rejuvenescimento digital dos atores. E até neste ponto o filme foi impecável. Tivemos em O Irlandês um avanço na tecnologia que já foi empregada nos filmes da Marvel (Robert Downey Jr, Michael Douglas e outros atores). O rejuvenescimento é natural e não causa estranheza. Se te dissessem que o longa foi gravado ao longo de 5 décadas você acreditaria tranquilamente.

É o novo Os Bons Companheiros (Goodfellas)?

Não! E isso não é algo ruim.

A direção é a mesma, diversos atores e membros da equipe técnica trabalharam nas duas obras. E claro, é um filme sobre à máfia. Mas as comparações param por aí.

Bons Companheiros é intenso, rápido, insano até. Coisas que você não encontrará em O Irlandês. Todos os maneirismos e marcas registradas de Martin Scorsese estão presentes, mas são obras totalmente distintas.

Não poderia falar de O Irlandês sem comentar sobre sua fotografia, que é algo maravilhoso de se ver. Através de contrates, intensidades e paletas de cores o expectador é transportado para as diferentes épocas retratadas no filme. É um dos grandes pontos da obra.

O Irlandês não será um clássico como Os Bons Companheiros é, mas meu veredito é que:

Vale o Ingresso.

Marcos “LaVecchia” ´- Designer, programador, entusiasta da Cultura Geek e amante da sétima arte.